Federação Nacional dos Sindicatos de Empresas de Recursos Humanos, Trabalho Temporário e Terceirizado

Varejo estável mantém sinal de recuperação lenta - Valor Econômico

A economia voltou a mostrar sinais pouco animadores, reforçando um cenário de fraco desempenho da atividade no primeiro trimestre. O volume de vendas do varejo restrito ficou estável em fevereiro, na comparação livre de fatores sazonais com o mês anterior, conforme divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC).

A estimativa média de 30 instituições financeiras ou consultorias ouvidas pelo Valor Data apontava para uma queda de 0,3%, sempre no cálculo dessazonalizado. Já o varejo ampliado - que inclui veículos e material de construção, além de outros oito segmentos - teve queda de 0,8% no mesmo tipo de comparação. Nesse caso, a estimativa média dos economistas indicava estabilidade. Para analistas, fatores como a lenta recuperação do mercado de trabalho e dificuldades na tramitação da reforma da Previdência Social impedem um crescimento mais expressivo do setor. "As vendas do varejo têm inegavelmente esfriado nos últimos meses", afirma a equipe da Guide Economics em relatório.

Com os números divulgados ontem, a corretora calcula que o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) deve apresentar queda de 0,4% na comparação com janeiro. O indicador será divulgado na semana que vem. Os resultados da PMC de fevereiro vieram na sequência de altas em janeiro de 0,4%, no varejo restrito, e de 1%, no caso do ampliado. No acumulado de 12 meses, houve aceleração de 2,2% para 2,4% (no restrito) e de 4,7% para 4,9% (ampliado). No entanto, segundo a 4E Consultoria, essa aceleração pode ser explicada pelo fato de o Carnaval deste ano ter sido realizado em março, e o do ano passado, em fevereiro.

Isso aumentou o número de dias úteis no acumulado em 12 meses encerrado em fevereiro último. O IBGE faz leitura semelhante. Na comparação com fevereiro de 2018, por exemplo, as vendas do varejo restrito avançaram 3,9%. Mas, em razão do Carnaval, houve um aumento de dias úteis, de 18 no ano passado para 20 neste ano. "A série com ajuste sazonal, que corrige diferenças de calendário, como o número de dias úteis, mostra que o crescimento teria sido de 1,6% frente a fevereiro do ano passado", diz a gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Isabella Nunes. "Por isso, é importante ter cuidado com a leitura desse número." Para Flávio Serrano, economista-chefe do Haitong, o comércio "vem andando meio de lado" nas comparações de prazos mais longos. O banco calcula desempenho próximo a estabilidade no Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre e crescimento de 2%, com viés de baixa, para o do ano. 

Das dez atividades pesquisadas pelo IBGE no varejo ampliado, seis registraram queda em relação a janeiro: combustíveis e lubrificantes (-0,9%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,7%); móveis e eletrodomésticos (-0,3%); equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-3%); veículos e motos, partes e peças (-0,9%); e material de construção (-0,3%). Por sua vez, as quatro atividades que apresentaram crescimento foram: tecidos, vestuário e calçados (4,4%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,1%); livros, jornais, revistas e papelaria (0,2%); e outros artigos de uso pessoal e doméstico (1%). Os "resultados recentes decepcionantes" e as dificuldades enfrentadas pelo setor fizeram a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) diminuir a sua projeção para o crescimento do varejo ampliado em 2019, de 5,4% para 5,2%.

Assim, a entidade calcula que o setor só voltará em 2021 ao nível pré-crise. Já a consultoria Parallaxis deve revisar para baixo nesta semana a sua projeção para o crescimento do PIB deste ano, dos 1,9% calculados atualmente para algo mais próximo de 1,6%. Christian Thorgaard, economista da consultoria, coloca como o principal destaque negativo a composição da retomada do mercado de trabalho, lenta e baseada fortemente em vagas informais. Ele afirma que há espaço para novas quedas da taxa básica de juros, atualmente em 6,5%.

Mas diz que isso teria pouco impacto sobre o consumo, já que a maior parte dos novos trabalhadores, por serem informais, não tem acesso a crédito. Thorgaard também chama a atenção para a desaceleração desde novembro do crescimento acumulado em 12 meses de alguns dos principais segmentos varejistas dependentes de crédito, entre eles veículos e motos, partes e peças (de 15% para 14,3%); material de construção (de 4,3% para 3,4%); e móveis e eletrodomésticos (de 0,1% para queda de 2%). Com base em indicadores antecedentes, o Itaú calcula para março alta de 0,3% do varejo restrito e de 0,9% para o ampliado. 

Últimas Notícias