Federação Nacional dos Sindicatos de Empresas de Recursos Humanos, Trabalho Temporário e Terceirizado

Vagas formais voltaram em abril, estimam analistas - Valor Econômico

O mercado de trabalho formal deve voltar a gerar vagas em abril, após fechamento de postos em março, porém em patamar abaixo da média para o mês, refletindo a fraqueza da economia. A mediana das projeções de 18 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data aponta para a abertura de 78 mil vagas em abril, após fechamento de 43,2 mil postos em março. As projeções estão bastante dispersas e variam do fechamento de 23 mil vagas até abertura de 160 mil. Se confirmada a mediana das projeções, o Caged de abril virá 33% abaixo do resultado de igual mês de 2018, quando foram criados 115,9 mil empregos com carteira assinada. A média histórica para meses de abril é de abertura de 129,7 mil vagas.

O Ministério da Economia ainda não tem data para divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de abril, mas ele costuma ser publicado sempre próximo ao dia 20 do mês seguinte ao de referência. O Caged teve um primeiro trimestre volátil, com um saldo de janeiro abaixo do esperado (34 mil), seguido por um fevereiro atipicamente forte (173 mil) e um março em sentido oposto (-43 mil), impactados pela mudança de calendário do Carnaval. O segundo trimestre, então, deverá ser um termômetro mais fiel do ritmo da atividade este ano.

A MB Associados projeta a abertura de 52 mil vagas formais em abril. "Esperamos um número significativamente melhor do que março, mas ainda uma queda forte em relação a abril do ano passado", afirma Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. "Ou seja, a sinalização não é muito boa, os dados de mercado de trabalho mostram desaceleração desde o final do ano passado." O Bradesco tem avaliação similar. "Os dados de abril deverão seguir fracos, com geração de cerca de 90 mil vagas formais, abaixo das 115 mil vagas criadas no mesmo mês de 2018", escreve a equipe do banco, em relatório. Vale acredita que há uma forte tendência de o saldo do Caged neste ano ser menor do que o do ano passado, condizente com o crescimento da economia que tende a ser pior do que o de 2018.

A MB Associados estima por ora um PIB de 1,1% para 2019 e saldo do Caged de 528 mil vagas, mas ambas as projeções têm viés de baixa. No ano passado, o PIB cresceu 1,1% e o saldo do Caged foi positivo em 421 mil vagas. A mediana de 15 estimativas colhidas pelo Valor Data aponta para saldo de 550 mil empregos formais em 2019. O número teve redução relevante em relação à coleta para o Caged referente ao mês de março, quando a mediana para o ano era de 725 mil vagas.

O economista-chefe da MB Associados avalia, no entanto, que ainda é improvável a hipótese de a taxa média de desemprego deste ano ficar acima daquela de 2018. "Tem a chance de a taxa média ficar muito próxima da do ano passado, de 12,3%", afirma Vale, que tem viés de alta para sua estimativa de uma taxa média de desemprego de 11,9% neste ano. "Mas, para ter uma taxa pior, precisaria haver uma deterioração mais aguda da economia." O Haitong projeta abertura de 91 mil vagas, o que, com ajuste sazonal, representaria o fechamento de 14 mil postos, contra perda de 75 mil vagas em março. "Os números do Caged perderam força, reforçando a percepção de que a taxa de desemprego deve cair lentamente nos próximos meses", escreve Flávio Serrano, em relatório.

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