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'Otimista' , Ibre reduz previsão de expansão do PIB para 1,2% - Valor Econômico

O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) segue mais otimista do que a média dos analistas do mercado sobre o crescimento da economia, mesmo após ter cortado ontem, mais um vez, sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. Para o Ibre-FGV, parte dos analistas pode não ter captado uma melhora relativa da indústria de transformação e do consumo das famílias.

O Ibre-FGV revisou para baixo sua estimativa para o crescimento PIB de 2019, de 1,4% para 1,2%, conforme antecipado pelo Valor Pro, serviço de informações em tempo real do Valor. Em maio, o instituto já havia cortado sua previsão para a atividade de 1,8% para 1,4%. As reduções refletiram indicadores mais fracos do início do ano. Porém, analistas ouvidos Boletim Focus, do Banco Central, projetam alta menor, de apenas 0,9% do PIB neste ano. Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Ibre-FGV, reconheceu que as previsões estão ligeiramente mais otimistas. Ela lembrou que a economia cresceu mais aceleradamente no ano passado de janeiro a abril.

A partir de maio, com a greve dos caminhoneiros, a atividade entrou em um processo de desaceleração, que seria intensificada com a crise da Argentina. "Então, teremos pela frente uma base de comparação interanual mais baixa para os indicadores. Quem está com PIB de 0,5% é como se não esperasse mais crescimento da economia no restante do ano. É como se olhasse para o primeiro trimestre e dissesse que é a cara do restante do ano. Na verdade, isso exigiria uma desaceleração forte, especialmente porque o desempenho do ano passado foi muito fraco a partir de maio."

Ela acrescentou que as sondagens de confiança da Fundação Getulio Vargas vêm capturando uma melhora na indústria de transformação nos últimos dois meses. Além disso, a economista prevê uma atenuação da crise argentina, a partir de políticas de incentivo para vendas de automóveis adotadas no país vizinho. "Isso pode surtir efeito e contribuir nas exportações", avaliou. Desta forma, a indústria de transformação deverá crescer 0,9% no segundo trimestre em relação a igual período do ano passado. No ano como um todo, o segmento deverá ficar praticamente estagnado, com avanço de 0,3%.

O Ibre-FGV prevê que a indústria geral (incluindo a extrativa) vai crescer 0,1% em 2019. A extrativa deve recuar 3,4%, afetada pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG). Pela ótica da demanda, a principal mudança na projeção do Ibre-FGV para o PIB de 2019 ocorreu no consumo das famílias, que foi reduzido de +1,9% para +1,6%. Essa piora está diretamente ligada à inflação dos alimentos do início deste ano, o que afetou as expectativas de consumo de itens básicos. Silvia lembrou que em maio, porém, os alimentos voltaram a registrar deflação, o que pode contribuir para uma aceleração do consumo. 

Para a coordenadora do Boletim Macro, apesar da taxa mais otimista, o resultado é "fraco". Não apenas pela intensidade, mas por sua composição. O Ibre-FGV prevê que os investimentos vão crescer apenas 1% neste ano, retirados os efeitos contábeis da importação de plataformas de petróleo, provocado pela mudança do programa Repetro. É a metade da taxa do ano passado. José Julio Senna, do Centro de Estudos Monetários do Ibre-FGV, afirma que o baixo crescimento tem sido um padrão brasileiro ao longo dos últimos 40 anos.

Para ele, um corte adicional da taxa básica de juros, a Selic, teria pouco efeito para melhorar o ritmo de crescimento da economia. Senna também defende que saída não seria pelo aumento dos gastos públicos. "Questões de curto prazo fundiram-se com questões de longo prazo. A economia está estagnada, mas o mercado financeiro parece animado com reforma da Previdência. A reforma é fundamental, mas não é tudo. A área econômica parece indicar a direção correta, com as reformas, mas elas não são tão simples de serem aprovadas", disse Senna, em evento do Ibre-FGV no Rio. 

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