Federação Nacional dos Sindicatos de Empresas de Recursos Humanos, Trabalho Temporário e Terceirizado

BB já reduziu quase 1% de sua mão de obra em 2019 - Valor Econômico

Sem alarde, o Banco do Brasil já vinha neste ano promovendo uma redução de seu efetivo de pessoal, antes mesmo do anúncio do Programa de Adequação de Quadro. Anunciado na última segunda-feira, a reestruturação, que incluiu um mecanismo de demissão voluntária, pode reforçar essa tendência de enxugamento da instituição. Dados do próprio BB mostram uma queda de quase 1% nos quadros neste ano, até o último dia 30 de julho, quando o total de funcionários era de 96.048. Na comparação com os números do segundo trimestre do ano passado, a queda foi de 1,7%.

A redução no tamanho do corpo funcional da instituição federal é uma tendência que já vem ocorrendo há alguns anos e também obedece à lógica de redução do Estado preconizada pelo atual comando da economia. No governo passado, um programa de demissão voluntária foi realizado em 2016 e levou a um corte de quase 9 mil pessoas. Nos dois anos seguintes, o quadro teve quedas adicionais que somaram 3,7 mil pessoas.

Questionado sobre o enxugamento em curso, a instituição respondeu que cerca de 2 mil funcionários se desligam todos os anos, em média. "É um movimento natural que envolve aposentadorias, desligamentos a pedido e, em bem menor grau, falecimentos", afirmaram, destacando que em 2019, somente até este mês de julho, 432 funcionários se aposentaram. Por outro lado, o banco aponta que não houve admissões de funcionários por concurso neste ano. O BB se recusa a admitir que o programa anunciado nesta semana seja um PDV e que tenha por objetivo avançar no enxugamento de sua força de trabalho. Afirma que não há qualquer meta nessa direção. "Os principais objetivos do movimento passam por adequar a capacidade de atendimento às necessidades de cada praça, privilegiando a experiência do cliente.

Considerando que haverá ajustes da força de trabalho do banco, buscando equalizar situações de vagas e excessos nas dependências, não existe meta de adesão ao Programa de Adequação de Quadro", afirmou o banco, por e-mail. "O banco não tem objetivo de reduzir seu quadro de funcionários, mas adequá-los à nova estrutura", assegura. Para Wagner Nascimento, coordenador da comissão de empresa dos funcionários do BB pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), disse que a redução de pessoal que já ocorre de forma "silenciosa" no banco é preocupante.

Segundo ele, a consequência disso é que o atendimento vai se tornando precário em alguns lugares, especialmente nas regiões mais pobres, onde não há tanto acesso a serviços digitais, que têm sido priorizados na estratégia do banco. Em relação ao plano anunciado nesta semana, a Contraf calcula que a redução pode chegar a 2,3 mil pessoas, o equivalente ao número de funções de confiança que estariam sendo eliminadas com a iniciativa.

Nascimento explica que o banco também está reduzindo salários ao transformar 333 agências em meros postos de atendimento e reduzir o status de outras 634. Isso porque, segundo ele, os postos não têm gerente geral, forçando a perda de renda de quem ocupa esse cargo, e a diminuição da categoria de uma agência também gera diminuição do comissionamento de quem a comanda.

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