Federação Nacional dos Sindicatos de Empresas de Recursos Humanos, Trabalho Temporário e Terceirizado

Abertura comercial afeta salário mais alto - Valor Econômico

A abertura comercial que o governo federal pretende promover com a redução das tarifas de importação não aumenta a desigualdade salarial dentro de um mesmo setor, afirma o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Se a política favorece determinados ramos em detrimento de outros, dentro de uma mesma empresa leva à diminuição do abismo salarial. Isso porque penaliza mais empregados qualificados, enquanto tem pouco ou nenhum efeito sobre os menos qualificados.

Segundo modelo matemático desenvolvido por pesquisadores do Ipea e do Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG), fórum ligado às Nações Unidas, uma redução de dez pontos percentuais na taxa de proteção efetiva de um setor tende a reduzir em 0,005 pontos o índice de Gini, indicador que varia de zero a um para indicar a desigualdade dentro de um grupo. "É uma redução pequena, mas não insignificante, pois nos permite afirmar que a desigualdade não vai aumentar em um cenário de abertura comercial", afirma Carolina Bloch, do IPC-IG. A tarifa de proteção nominal média do país é de 13%, diz o Ipea.

As taxas efetivas, no entanto, seriam bem maiores, por somar as taxas de toda a cadeia de produção: estão na casa dos 40% no caso de produtos de vestuário e calçados e superam os 80% no caso da fabricação de automóveis. Haveria, portanto, boa margem de corte e impacto na estrutura salarial. O economista Sergei Soares, do Ipea, explica que funcionários com maiores salários, em cargos de administração ou comando de produção, têm maior poder de barganha nas negociações salariais e, por isso, absorvem a maior parte da chamada "renda de monopólio", fatia do faturamento atribuída ao protecionismo.

Com maior qualificação, esse grupo de funcionários está mais subordinado à conjuntura setorial, sendo mais afetado pelo aumento da concorrência em um cenário de abertura. Na contramão, os que recebem os menores salários, no chão de fábrica ou em funções auxiliares têm, ao mesmo tempo, menos poder de barganha e um mercado mais amplo, de concorrência nacional ou regional. Como não são beneficiados pelo monopólio, não têm nada a perder e podem migrar para setores não afetados pela abertura, preservando a renda.

Questionado se a massa salarial geral não diminuiria com uma abertura, Sergei diz que isso pode acontecer em termos absolutos, mas não relativos, em função do "inconteste" viés de geração de riqueza e diminuição de preços. O pesquisador cita relatório da extinta Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência, que prevê redução de 5% no nível geral de preços e até 16% nos valores praticados pelos setores mais protegidos em caso de liberalização. 

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