Federação Nacional dos Sindicatos de Empresas de Recursos Humanos, Trabalho Temporário e Terceirizado

Geração de vagas é maior para agosto desde 2013 - Valor Econômico

O mercado de trabalho brasileiro registrou abertura líquida de 121,4 mil vagas em agosto, quinto mês seguido de resultado positivo e melhor desempenho para meses de agosto desde 2013. O número veio acima do esperado pelo mercado (100 mil) e o bom desempenho foi generalizado entre os setores. Analistas afirmam, porém, que a queda da confiança dos empresários em setembro sugere cautela à frente. No acumulado do ano, o saldo está positivo em 593,5 mil vagas, acima dos 568,6 mil postos abertos de janeiro a agosto de 2018. Em 12 meses, o saldo é de 530,4 mil empregos, na série com ajuste para incluir dados enviados com atraso pelas empresas.

Por setores, seis de oito ramos da atividade apresentaram resultado líquido positivo em agosto. O destaque foi serviços (61.730 vagas criadas), seguido por comércio (23.626), indústria de transformação (19.517), construção civil (17.306), administração pública (1.391) e extrativa mineral (1.235). Houve fechamento de vagas em agropecuária (perda de 3.341 postos) e serviços industriais de utilidade pública (77). Por regiões, o Sudeste puxou a criação de postos, com saldo líquido positivo de 51.382 vagas. Na sequência, vêm Nordeste (34.697), Sul (13.267), Centro-Oeste (11.431) e Norte (10.610). O presidente Jair Bolsonaro comemorou, pelo Twitter, o número de vagas de trabalho formais criadas em agosto. “O melhor resultado para o período em seis anos. O Brasil segue se recuperando”, escreveu em sua conta.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, também fez um breve comentário sobre o tema ao participar da Comissão Mista do Orçamento, no Congresso. “Melhor agosto desde 2013”, disse. Na mesma linha, o secretário de Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Dalcolmo, afirmou que o Caged sinaliza a recuperação gradativa do emprego e do crescimento econômico, após um primeiro semestre “repleto de desafios”. “Na nossa perspectiva, a construção civil é o melhor exemplo da consistência da retomada, com cinco meses consecutivos de saldos positivos de emprego”, destacou, em comunicado. Para Cosmo Donato, economista da LCA Consultores, a construção civil pode ter sido o principal fator para o resultado acima do esperado em agosto, além da aceleração do setor de serviços. “Houve um avanço até significativo da indústria de transformação, mas esse é o momento do ano em que a indústria começa a se preparar para as encomendas de fim de ano, então ela invariavelmente contrata mais, não há nada de surpreendente”, observou Donato.

Ele lembrou que o mercado imobiliário está bastante aquecido em termos de lançamentos, o que se soma à maior oferta de crédito e famílias mais confiantes. “Embora a construção não tenha apresentado a maior participação para a geração de vagas, é um setor que vinha bastante debilitado e, com ajuste sazonal, já mostra seu quarto saldo positivo”, afirmou ele. Luka Barbosa, do Itaú, ponderou, contudo, que um crescimento mais forte da construção segue limitado pela falta de capacidade de investimento de governo federal, Estados e municípios. “Isso não deve melhorar no curto prazo e, para mudar no médio prazo, depende de reduzir despesas obrigatórias para abrir espaço para o investimento.” Barbosa destacou a melhora do mercado de trabalho em relação a julho, na série com ajuste sazonal, mas avaliando que a queda na confiança dos empresários em setembro pode indicar nova desaceleração nos meses à frente. Os 121 mil empregos criados em agosto correspondem à abertura de 53 mil vagas com ajuste sazonal, estima o analista.

Com o resultado, a média móvel trimestral ajustada foi a 41 mil, vindo de 29 mil em julho. O ritmo é compatível com um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,4% em termos anualizados, acima da expectativa de 0,8% para 2019 do Itaú. “É uma criação de empregos moderada, mas melhorando na margem.” Por outro lado, ponderou, a confiança do empresário segue em nível baixo, e mostrou queda novamente em setembro. A confiança da indústria recuou 0,2 ponto em prévia, a do comércio caiu 1,5 ponto e a da construção cedeu 0,5 ponto em setembro, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). “A confiança do empresário tem correlação forte com o Caged e ela aponta para nova desaceleração do emprego nos meses seguintes”, afirmou Barbosa. “Os dados apontam em direções contrárias e precisaremos ver nos próximos meses qual tendência vai prevalecer.”

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