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Bolsonaro articula base de apoio com 9 partidos - O Globo

Depois de vários atritos com o Congresso, o presidente Jair Bolsonaro começa o processo de construção da base de apoio ao seu governo reunindo-se pela primeira vez, hoje, com presidentes de partidos. A iniciativa visa à aprovação da reforma da Previdência. Nove legendas, que somam 259 deputados e 53 senadores, devem ser recebidas por Bolsonaro até a semana que vem. O vice-presidente Hamilton Mourão não descartou que o Planalto abra espaço para aliados no governo. “É óbvio que eles vão ter algum tipo de participação, seja em cargos nos estados, algum ministério. Isso é decisão do presidente”, afirmou.

Após uma série de atritos na relação do governo com o Congresso, Jair Bolsonaro se reúne hoje, no Palácio do Planalto, pela primeira vez com presidentes de partidos que espera atrair para a base aliada de olho na votação da reforma da Previdência.

Até semana que vem, devem ser recebidas pelo presidente nove legendas, que somam 259 deputados e 53 senadores. Com o apoio do PSL de Bolsonaro, a base que o governo tenta construir teria potencial de chegar a 313 deputados e 57 senadores, o suficiente para aprovar mudanças constitucionais.

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que deve participar das conversas, disse que a ideia é iniciar uma série de convites para que os partidos integrem formalmente a base aliada. Nos bastidores, porém, há pressão para que sejam liberados cargos no segundo e terceiro escalão do governo, hipótese admitida ontem pelo vice-presidente, Hamilton Mourão.

O vice-presidente chegou a dizer que, caso as legendas concordem com as propostas do Planalto, poderão ganhar cargos no Executivo. Marcos Pereira (PRB) e Gilberto Kassab (PSD), por exemplo, que estarão hoje nas conversas, já foram ministros. No governo Temer, o PP comandou as pastas da Saúde e da Agricultura, e o PSDB acumulou seis ministérios.

— A partir do momento em que esses partidos estejam concordando com o que o governo pretende fazer, é óbvio que eles vão ter algum tipo de participação, seja em cargos nos Estados, algum ministério ou algo do gênero. Isso é decisão do presidente, né? — disse Mourão, ao deixar seu gabinete no anexo do Palácio do Planalto, ontem.

Além de Kassab e Pereira, serão recebidos, em sessões individuais, Geraldo Alckmin (PSDB), ACM Neto (DEM), Ciro Nogueira (PP) e Romero Jucá (MDB). Outros presidentes de partidos serão recebidos na próxima semana. PSL, SD, PR e Podemos estão na lista de prioridades do governo.

— Para que nós tenhamos uma base constituída, precisamos dialogar. Convidar e abrir a porta: é o que a gente está fazendo — disse Onyx.

PARTIDOS ALINHADOS

Com exceção de ACM Neto, os presidentes de partidos que serão recebidos por Bolsonaro hoje fizeram ontem uma conferência por telefone para alinhar a postura no Planalto. Combinaram de mais ouvir do que falar, e que o melhor é evitar pedido de cargos ou outras queixas.

Dirigentes demonstram desconfiança e cautela diante do encontro, e lembraram do episódio da semana retrasada em que Bolsonaro declarou que “alguns não querem largar a velha política”, dias depois de se encontrar com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Em fevereiro, o governo chegou a dizer que criaria um “banco de talentos” para indicações políticas no segundo e terceiro escalão. Por enquanto, contudo, as nomeações estão congeladas. As regras para o uso da base de dados com currículos, como a exigência de adequação à Ficha Limpa, começam a valer em 15 de maio. Os cargos, porém, não envolvem secretarias importantes do Executivo, o que continua gerando insatisfação entre deputados.

Outras medidas também já foram aventadas pelo governo para tentar agradar aos parlamentares. Onyx cogitou colocar placas com o nome de parlamentares em obras federais feitas a partir de emendas parlamentares. A estratégia de negociar com bancadas temáticas também não foi adiante.

O ex-senador Romero Jucá diz que há um “desgaste coletivo” nos acontecimentos que antecederam o convite eque a abertura para uma conversa indica uma possível mudança de postura do presidente.

—É um convite do presidente, então nós vamos ouvir. Há um desgaste coletivo, mas agente não tem que olhar para trás. Sempre é hora de melhorar as coisas —disse Jucá ao GLOBO.

KASSAB CRITICADO ANTES

Um vice-líder do governo ouvido pelo GLOBO demonstrou ceticismo em relação às conversas e comentou que a ambição do centrão (DEM, PP, SD e PRB) por cargos não será resolvida tão facilmente.

Na lista de convidados de Bolsonaro, estão nomes que já foram criticados por ele. No dia 6 de setembro, em Juiz de Fora, horas antes de sofrer uma facada, o presidente referiu-se a Kassab como “porcaria”.

—Que mé o ministro da Ciência e Tecnologia? É ose nhor Kassab. Não sabe a diferença de leida gravida depara gravidez. O que essa porcaria está fazendo lá? Botando seus apadrinhados, vendendo voto do seu parti dopara o( Michel) Temer evai vender para o (Geraldo) Alckmin — disse o então candidato.

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