Apoio do mercado alivia indefinição sobre reforma

O GLOBO

Se o Palácio do Planalto resolver, efetivamente, manter na gaveta a proposta que define novas regras para o funcionalismo público, a agenda de reformas sofrerá um baque importante, certo? Não é bem assim.

O apoio dos grandes agentes do mercado financeiro a tudo que é proposto e defendido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, é um elemento-chave na redução de danos que o engavetamento da reforma provocaria sobre as expectativas em relação ao desempenho futuro da economia brasileira.

O espírito de torcida que predomina nas principais mesas do circuito Faria Lima acabará prevalecendo e fará com que operadores, analistas e gente do mercado financeiro, em geral, comprem a ideia que começou a ser vendida pela cozinha do Planalto: a proposta de reforma administrativa não seguirá neste momento para o Congresso Nacional por conta da proximidade das eleições municipais.

A trava no andamento da agenda não tem relação com o fato de o próprio chefe da equipe econômica ter criado enorme obstáculo para tramitação de sua proposta ao classificar, de maneira indistinta, os servidores públicos como parasitas.

Em outros tempos (outros governos, outros ministros), a simples ideia de testar a audiência sobre o adiamento do envio de um item considerado fundamental para o reequilíbrio das contas públicas e retomada do crescimento sustentado já teria jogado por terra a Bolsa de Valores brasileira.

Ontem, mesmo sem indicação clara sobre o futuro da reforma administrativa — a mais desejada por Guedes —, o Ibovespa registrou mais um dia de ganhos, com 1,13%.

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