Por temor de avanço do coronavírus, Bolsas da Ásia fecham em baixa; Europa tem manhã estável

O ESTADO DE S. PAULO

As Bolsas asiáticas fecharam em baixa nesta terça-feira, 28, influenciadas por temores de que o surto de coronavírus iniciado na China continue se alastrando e prejudique a perspectiva econômica global. 

Na Europa, a maioria das principais Bolsas opera no azul nesta manhã. No entanto, as altas seguem pouco firmes e muito distantes de uma recuperação verdadeira em relação ao forte tombo de segunda-feira, 27, motivado também por preocupações com o surto de coronavírus. 

Também na segunda, o temor com o impacto do coronavírus derrubou as Bolsas e os preços das commodities em todo o mundo. No Brasil, o Ibovespa (que reúne as ações mais negociadas na Bolsa de São Paulo) recuou 3,29%, a maior retração desde 27 de março de 2019. O índice, que havia batido recorde duas vezes na semana passada, fechou aos 114,5 mil pontos. Em meio a uma onda de aversão ao risco, com os investidores procurando refúgio no dólar, a moeda americana subiu 0,60% e encerrou o dia cotada a R$ 4,2098 – o maior valor desde 2 de dezembro. 

Índices 

O índice  japonês Nikkei caiu 0,55%, na manhã desta terça, para 23.215,71 pontos, em meio a fortes perdas de ações ligadas a bens de consumo e maquinário. Em Seul, o sul-coreano Kospi teve queda de 3,09%, a para 2.176,72 pontos, na volta do feriado de ano-novo local.

As bolsas de Xangai e de Shenzhen divulgaram comunicados adiando a reabertura dos negócios para segunda-feira, 3. Originalmente, ambas voltariam a operar na sexta, 31. Na segunda-feira, 27, o governo chinês decidiu estender o feriado do ano-novo lunar em três dias, até domingo, 2, como parte de esforços para conter o coronavírus, que já infectou mais de 4.500 pessoas e causou ao menos 106 mortes na China. Já a Bolsa de Hong Kong informou que irá retomar os negócios nesta quarta-feira, 29, como estava previsto.

Na Oceania, a Bolsa da Austrália também voltou de um feriado local fortemente pressionada pelo noticiário sobre o coronavírus. O S&P/ASX 200 teve queda de 1,35%, a maior em 2020, encerrando o pregão em Sydney aos 6.994,50 pontos.

Na Europa, a maioria das principais Bolsas opera no azul nesta manhã, embora com números considerados frágeis. As altas, no entanto, seguem pouco firmes e muito distantes de uma recuperação verdadeira em relação ao forte tombo de segunda-feira, 28, motivado também por preocupações com o surto de coronavírus.

Às 7h16 de Brasília, a Bolsa de Londres subia 0,18% e a de Paris avançava 0,16%, mas a de Frankfurt caía 0,05%. Milão ganhava 0,52%, Madri tinha elevação de 0,33% e Lisboa, acréscimo de 1,10%. No mercado cambial, o euro era negociado a US$ 1,1020, ante US$ 1,1021 no fim da tarde de ontem, e a libra era cotada a US$ 1,3029, ante US$ 1,3055 na véspera. 

Gravidade

Os investidores seguem monitorando de perto os números que podem dar a dimensão do quão grave e contagioso é o coronavírus. A Comissão Nacional de Saúde da China informou nesta madrugada que mais 25 pessoas morreram, o que levou a contagem total de mortos  para 106. O número de casos confirmados no país chegou a 4.515. Os Estados Unidos planejam resgatar os cidadãos americanos que estão em Wuhan, onde os primeiros casos foram registrados. Reino Unido, Japão e Portugal estudam operações semelhantes.

Na segunda, 27, a Alemanha se tornou o segundo país da Europa e o 15º do mundo com casos registrados de coronavírus. Já havia informações sobre três infectados na França.

Numa tentativa de conter o coronavírus, Hong Kong anunciou nesta terça uma série de restrições de viagens entre o território e a China continental, num anúncio que chegou a pressionar os negócios nas bolsas europeias. 

O que se sabe

A origem do chamado “novo coronavírus 2019” ou “2019-nCoV” ainda é desconhecida. A hipótese mais provável é de que a fonte primária do vírus seja animal e que tenha começado a circular em um mercado de frutos do mar em Wuhan. As autoridades ainda não confirmaram qual foi o suposto animal infectado ou como a transmissão teve início, mas um estudo feito por pesquisadores chineses mostra que o surto pode ter começado em cobras. 

Coronavírus são uma grande família de vírus da qual alguns são responsáveis por causar doenças em humanos. A maioria circula em animais como camelos, gatos e morcegos.

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), os coronavírus animais raramente podem evoluir, infectar pessoas e se espalhar, como foi observado durante os surtos da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS, na sigla em inglês) e da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, na sigla em inglês). 

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