Quase um quarto dos jovens não estuda nem trabalha

O GLOBO

Quase metade da população adulta no Brasil (49%) não concluiu o ensino médio e 23% dos jovens de 15 a 29 anos não estuda nem trabalha. Os números, divulgados ontem pelo IBGE na Síntese dos Indicadores Sociais, mostram o tamanho do desafio do Brasil para equiparar seus indicadores de educação com o dos países ricos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE ). Segundo a pesquisa, na média da OCDE, apenas 17% dos adultos de 25 a 64 anos não têm o ensino médio. E só 13,2% dos jovens são os chamados “nem-nem”.

— O impacto de um jovem que não estuda nem trabalha é enorme. O primeiro risco é a exposição às questões de violência. Além disso, há um custo social, uma vez que ele deveriaestar contribuindo para o desenvolvimento econômico e social país.Éo pior dos cenários—afirma Mozart Neves, diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna.

A relação entre escolaridade e espaço no mercado de trabalho é direta, quanto menos estudo, menor a chance de conseguir colocação profissional, diz Lena Lavinas, economista e membro da escola de Ciência Social do Instituto de Estudos Avançados de Princeton:

— Quem só tem o ensino médio já tem muita dificuldade de ser contratado. Com o panorama de desemprego que o Brasil enfrenta hoje, gente mais qualificada acaba ocupando posições que exigem menos capacitação. Sem a educação básica completa, o desafio é ainda maior.

Esse é o efeito percebido pela carioca Fernanda Dias, de 28 anos. Após repetir o primeiro ano do ensino médio, na época, com 16 anos, ela começou a trabalhar para ajudar em casa. A vontade de retomar os estudos, anos depois, foi interrompida pela gravidez.

— Quando você começa a receber um salário, voltar para a escola deixa de ser atrativo. Depois não consegue mais conciliar casa, família e estudos. Antes o salário dava pra viver. Hoje seria difícil contar só com o mínimo, mas não acho que conseguiria algo melhor —diz Fernanda.

A pesquisa do IBGE mostra que, em dois anos, aumentou em 510 mil os jovens da população de menor renda no grupo dos “nem-nem”.

Segundo o estudo, a evasão está relacionada ao atraso escolar.A incidência de estudantes quen ãof requentam a série em idade prevista atinge o maior patamar entre jovens de 15 a 17 anos: 23%. Já o índice de abandono escolar é mais alto na faixa de 18 a 24 anos, quando chega a 63,8%. Para Mozart Neves, a reversão do quadro depende de políticas que ampliem o atendimento escolar em tempo e qualidade, com educação em horário integral.

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