Brasil recua em ranking de competitividade

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O Brasil perdeu uma posição no Anuário de Competitividade Mundial e caiu para 57º lugar entre 64 países, depois de quatro anos de leve avanço, segundo relatório do IMD, de Lausanne (Suíça), reputada como uma das melhores escolas de administração do mundo. O país está no pelotão de baixo da competitividade global marcado por um governo visto com a terceira pior eficiência (62ª posição) e só à frente dos governos da Venezuela e da Argentina. A imagem ou ‘’marca’’ do país no exterior também continua se deteriorando e ocupa a 61ª posição, melhor apenas que a imagem externa de Turquia, Argentina e Venezuela. O IMD compara a prosperidade e a competitividade de 64 nações com base em 334 critérios. Os dados estatísticos têm peso de dois terços dos resultados e pesquisas de opinião entre executivos representam um terço.

Em um ano marcado por crise sanitária, as economias consideradas mais competitivas são Suíça, Suécia, Dinamarca, Holanda e Cingapura. Elas têm em comum investimento em inovação, atividade diversificada, coesão social e políticas de apoio governamental. Os EUA continuaram na décima posição. A China manteve sua trajetória de ascensão e evolui da 20ª para 16ª posição. Em geral, países da Ásia oriental e central e da Europa Ocidental melhoraram seus rankings. Já a América do Sul, onde a pandemia continua fazendo estragos importantes, enfrentou uma reversão de melhorias alcançadas nos dois anos anteriores e agora todos os países da região caíram no ranking.

No caso do Brasil, a maior economia da América Latina e a 12ª do mundo, o relatório aponta melhora no indicador de desempenho econômico (56º lugar ante 51 no ano anterior), em razão de evolução relativa na economia doméstica, comércio internacional e preços. ‘’Os programas de ajuda a famílias e empresas combinados mantiveram a economia em funcionamento e alavancam agora seu potencial’’, avalia o professor Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, parceira nacional no estudo do IMD. No mais, o Brasil caiu onde já não estava bem. No indicador de eficiência do governo, que reflete como políticas governamentais ajudam na competitividade, a 62ª posição é explicada por exemplo no pior desempenho (64º) em termos de gastos do governo central, além de elevado grau de endividamento público e manobras envolvendo teto de gastos. Também postergou reformas administrativa e tributária. A percepção de executivos aponta problemas no combate a corrupção, retrocesso na Lava-Jato, falta de confiança no governo, crescente violência urbana, desigualdades, persistente má distribuição de renda.

Em termos de coesão social, o Brasil está na lanterna (60º lugar). Em 52º em termos de como a Justiça é administrada de forma justa. Em abertura da cultura nacional, está em 37º, caindo 16 posições no ano da pandemia. Para José Caballero, do IMD e um dos autores do relatório, há uma percepção de menos tolerância no Brasil, talvez no rastro de polarização envolvendo o combate à covid-19, e que envolve também situação de minorias e abertura ou não a novas ideias e novas propostas. Nesse contexto, a “marca’’ Brasil no exterior sofre. “Sem entrar no lado político, desde 2019 temos notado uma queda na imagem do Brasil no exterior, na percepção de executivos, provavelmente por questões de uma fraqueza nas instituições, enorme burocracia, corrupção, falta de transparência, preocupação com o estado de direito”, afirma Caballero.

VALOR ECONÔMICO

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