ECONOMISTAS PROJETAM TAXA DE DESEMPREGO DE 11% NO ANO

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Valor Econômico –

O Brasil deve finalizar 2022 com taxa de desemprego de no mínimo 11%, equivalente a cerca de 12 milhões de desempregados, e sem recuperar renda real do trabalho, atualmente prejudicada com avanço da inflação. É o que alertam especialistas ouvidos pelo Valor.

Analistas da Tendências Consultoria, XP, Ativa, LCA e Fundação Getulio Vargas são unânimes: houve piora nas projeções da economia neste ano e, por consequência, nas condições necessárias para retomada sustentável do emprego. Além de conjuntura macroeconômica mais desfavorável, a atividade deve sofrer efeitos negativos, diretos e indiretos, de um fator novo – a guerra entre Rússia e Ucrânia -, como inflação mais elevada, observam os economistas.

Eles alertam: a continuidade de aumento na população economicamente ativa e a necessidade das famílias em elevar mais renda devido à perda de poder de compra com preços em alta vai estimular ainda mais pessoas em busca de vaga, pressionando para cima a taxa de desemprego deste ano.

No começo de 2022, o mercado de trabalho deu sinal positivo, com diminuição de 0,9 ponto percentual na taxa de desemprego no trimestre até janeiro, para 11,2%, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mas, para Lucas Assis, economista da Tendências Consultoria, esse recuo não é certeza de melhora continuada até fim do ano. Um fator preocupante, notou, também divulgado pelo IBGE, é o contingente já expressivo de 6,9 milhões de pessoas que querem trabalhar mais horas para aumentar renda, mas não conseguem. Isso porque ritmo da economia atual não estimula empresário a elevar horas trabalhadas.

A projeção da Tendências é de “zero” para variação do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022. Ele não descartou, ainda, menor crescimento mundial e prejuízo nas cadeias globais de fornecimento de insumos devido ao conflito no Leste Europeu. “[Esse contexto] pode conter intenção de investimentos e conter ímpeto de contratações no país”, disse. sugere programas para combater desemprego, principalmente entre jovens.

Rodolfo Margato, economista da XP, também vê “variação nula” no PIB. E vai além: possível melhora sustentável do mercado de trabalho brasileiro é inibida por problemas estruturais. “Temos taxa de informalidade elevada, acima de 40% [da população ocupada], superior à média dos emergentes, e qualificação profissional média baixa”, citou ele. Com isso, vagas com pouca qualificação pagam menos e, por consequência, não ajudam a elevar de forma contínua e sustentável renda do trabalho.

“Difícil imaginar trajetória de reversão da renda em termos reais [em 2022]”, acrescentou. Neste mês, o IBGE também anunciou que, mesmo com desemprego menor, no trimestre encerrado em janeiro a renda real habitual do trabalho – descontada inflação – caiu 1,1% ante trimestre anterior; e recuou 9,7% ante igual trimestre de ano anterior.

Na análise de Margato, uma solução para melhorar mercado de trabalho, no longo prazo, seria combinar investimentos contínuos em formação profissional com indicadores macroeconômicos equilibrados.

A importância do cenário econômico nos resultados do emprego também foi citada pelo economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez. Para ele, o efeito da economia fraca em 2022 no emprego deve conduzir à taxa de desemprego de 12,5% ao término do ano – ou seja, cerca de 13 milhões de desempregados. “A perspectiva é tão ruim para crescimento neste ano que o mercado de trabalho vai acabar refletindo isso”, afirmou. A Ativa também projeta crescimento zero para PIB do ano.

De maneira geral, o mercado de trabalho reage com defasagem em relação à atividade econômica, afirmou o economista da LCA Bruno Imaizumi. Mas reconheceu que, hoje, a situação é diferente. “Em 2022 o mercado de trabalho está atrelado ao cenário econômico, que está deteriorado”, disse.

O analista também não vê muito espaço para recuperação de vagas porque, além da economia mais fraca não favorecer tal ação, esse movimento já ocorreu em 2021, após os cortes causados pela pandemia em 2020. Em fevereiro de 2020, a população ocupada era de 94,7 milhões e, em dezembro de 2021, 95 milhões, citou.

“Vamos continuar com taxa de desemprego nesse patamar elevado”, disse. Imaizumi ponderou que o quadro poderia ser menos desfavorável com soluções estruturais, como mais programas voltados para qualificação profissional.

Rodolpho Tobler, economista da FGV, concorda. Para ele, “não dá para imaginar taxa abaixo de dois dígitos” com problemas estruturais do mercado de trabalho, como alta informalidade, e baixa qualificação. Ele também ressaltou que, desde 2016, o país não registra taxa anual de desemprego inferior a 10%. Isso manteve o alto patamar de desempregados, por longo período sem gerar renda do trabalho e, assim, a “frear” crescimento robusto na economia.

“E a guerra [na Ucrânia] pode potencializar esses problemas [no emprego]” afirmou. Tobler frisou que o conflito é fator a elevar preços, inibir consumo e, com isso, a conduzir atividade ainda mais fraca – o que desfavorece abertura de vagas.

Valor Econômico –

O Brasil deve finalizar 2022 com taxa de desemprego de no mínimo 11%, equivalente a cerca de 12 milhões de desempregados, e sem recuperar renda real do trabalho, atualmente prejudicada com avanço da inflação. É o que alertam especialistas ouvidos pelo Valor.

Analistas da Tendências Consultoria, XP, Ativa, LCA e Fundação Getulio Vargas são unânimes: houve piora nas projeções da economia neste ano e, por consequência, nas condições necessárias para retomada sustentável do emprego. Além de conjuntura macroeconômica mais desfavorável, a atividade deve sofrer efeitos negativos, diretos e indiretos, de um fator novo – a guerra entre Rússia e Ucrânia -, como inflação mais elevada, observam os economistas.

Eles alertam: a continuidade de aumento na população economicamente ativa e a necessidade das famílias em elevar mais renda devido à perda de poder de compra com preços em alta vai estimular ainda mais pessoas em busca de vaga, pressionando para cima a taxa de desemprego deste ano.

No começo de 2022, o mercado de trabalho deu sinal positivo, com diminuição de 0,9 ponto percentual na taxa de desemprego no trimestre até janeiro, para 11,2%, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mas, para Lucas Assis, economista da Tendências Consultoria, esse recuo não é certeza de melhora continuada até fim do ano. Um fator preocupante, notou, também divulgado pelo IBGE, é o contingente já expressivo de 6,9 milhões de pessoas que querem trabalhar mais horas para aumentar renda, mas não conseguem. Isso porque ritmo da economia atual não estimula empresário a elevar horas trabalhadas.

A projeção da Tendências é de “zero” para variação do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022. Ele não descartou, ainda, menor crescimento mundial e prejuízo nas cadeias globais de fornecimento de insumos devido ao conflito no Leste Europeu. “[Esse contexto] pode conter intenção de investimentos e conter ímpeto de contratações no país”, disse. sugere programas para combater desemprego, principalmente entre jovens.

Rodolfo Margato, economista da XP, também vê “variação nula” no PIB. E vai além: possível melhora sustentável do mercado de trabalho brasileiro é inibida por problemas estruturais. “Temos taxa de informalidade elevada, acima de 40% [da população ocupada], superior à média dos emergentes, e qualificação profissional média baixa”, citou ele. Com isso, vagas com pouca qualificação pagam menos e, por consequência, não ajudam a elevar de forma contínua e sustentável renda do trabalho.

“Difícil imaginar trajetória de reversão da renda em termos reais [em 2022]”, acrescentou. Neste mês, o IBGE também anunciou que, mesmo com desemprego menor, no trimestre encerrado em janeiro a renda real habitual do trabalho – descontada inflação – caiu 1,1% ante trimestre anterior; e recuou 9,7% ante igual trimestre de ano anterior.

Na análise de Margato, uma solução para melhorar mercado de trabalho, no longo prazo, seria combinar investimentos contínuos em formação profissional com indicadores macroeconômicos equilibrados.

A importância do cenário econômico nos resultados do emprego também foi citada pelo economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez. Para ele, o efeito da economia fraca em 2022 no emprego deve conduzir à taxa de desemprego de 12,5% ao término do ano – ou seja, cerca de 13 milhões de desempregados. “A perspectiva é tão ruim para crescimento neste ano que o mercado de trabalho vai acabar refletindo isso”, afirmou. A Ativa também projeta crescimento zero para PIB do ano.

De maneira geral, o mercado de trabalho reage com defasagem em relação à atividade econômica, afirmou o economista da LCA Bruno Imaizumi. Mas reconheceu que, hoje, a situação é diferente. “Em 2022 o mercado de trabalho está atrelado ao cenário econômico, que está deteriorado”, disse.

O analista também não vê muito espaço para recuperação de vagas porque, além da economia mais fraca não favorecer tal ação, esse movimento já ocorreu em 2021, após os cortes causados pela pandemia em 2020. Em fevereiro de 2020, a população ocupada era de 94,7 milhões e, em dezembro de 2021, 95 milhões, citou.

“Vamos continuar com taxa de desemprego nesse patamar elevado”, disse. Imaizumi ponderou que o quadro poderia ser menos desfavorável com soluções estruturais, como mais programas voltados para qualificação profissional.

Rodolpho Tobler, economista da FGV, concorda. Para ele, “não dá para imaginar taxa abaixo de dois dígitos” com problemas estruturais do mercado de trabalho, como alta informalidade, e baixa qualificação. Ele também ressaltou que, desde 2016, o país não registra taxa anual de desemprego inferior a 10%. Isso manteve o alto patamar de desempregados, por longo período sem gerar renda do trabalho e, assim, a “frear” crescimento robusto na economia.

“E a guerra [na Ucrânia] pode potencializar esses problemas [no emprego]” afirmou. Tobler frisou que o conflito é fator a elevar preços, inibir consumo e, com isso, a conduzir atividade ainda mais fraca – o que desfavorece abertura de vagas.

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