Emprego formal aumenta, mas não se converte em crescimento da renda, aponta IBGE

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Valor Econômico

Das 1,083 milhão de pessoas a mais no mercado entre fevereiro e abril, 690 mil (63,7%) eram de trabalhadores do setor privado com carteira de trabalho assinada

Por Lucianne Carneiro

Mais de 60% do aumento da população ocupada no trimestre encerrado em abril veio do mercado formal de trabalho. Das 1,083 milhão de pessoas a mais no mercado entre fevereiro e abril, 690 mil (63,7%) eram de trabalhadores do setor privado com carteira de trabalho assinada, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta terça-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esse movimento, no entanto, não significou crescimento no rendimento médio dos trabalhadores, ponderou a coordenadora de pesquisas por amostra de domicílio do instituto, Adriana Beringuy.

“Parte significativa da expansão da população ocupada neste trimestre vem do trabalho formal. […] Embora tenha ocorrido essa expansão da ocupação formal, isso não se converteu em crescimento do rendimento médio real. Mesmo tendo havido expansão [do emprego] de carteira, de fato o crescimento da formalidade não necessariamente se converteu em crescimento do rendimento médio”, afirmou a pesquisadora.

A renda média dos trabalhadores teve variação de 0,1% no trimestre encerrado em abril, frente ao trimestre anterior, alcançando R$ 2.569, o que é classificado como estabilidade pelo IBGE, por estar dentro da margem estatística da pesquisa. Na comparação com igual período de 2021, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores (considerando a soma de todos os trabalhos) teve queda de 7,9% no trimestre encerrado em abril de 2022, uma diferença de R$ 221 a menos.

A expansão do contingente de trabalhadores com carteira assinada é vista como uma sinalização de melhor qualidade do mercado, por conta da segurança do vínculo de trabalho, mas também porque tradicionalmente são vagas com rendimento médio maior. Para se ter uma ideia, no trimestre encerrado em abril, a renda média do trabalhador com carteira era de R$ 2.499 para R$ 1.715 sem carteira.

Algumas razões podem estar contribuição para esta estabilidade da renda média do trabalho, segundo a coordenadora do IBGE. Uma delas é a queda da renda média do trabalhador do setor público, de -2,2%, para R$ 3.948, que pode estar relacionada aos chamados contratos por designação, que são contratos temporários para a administração pública. Também pode haver influência de que os setores com mais expansão de vagas formais não terem rendimento médio elevado, como em serviços. Além disso, há o efeito da inflação.

“Uma parte desse não crescimento do rendimento médio tem a ver com queda do setor público e a não expansão do rendimento do emprego com carteira. E tem a inflação. […] No setor público, isso se dá inclusive pelo fato de a educação ter sido destaque no trimestre. Isso pode estar sendo puxado pelos contratos temporários, muito utilizados pelas prefeituras, para aproveitamento na parte de educação e saúde”, explica Adriana Beringuy, lembrando também do possível impacto de geração de vagas em setores como transportes e outros serviços, com destaque para serviços de embelezamento, como cabeleireiro, manicure e esteticista.

https://valor.globo.com/brasil/noticia/2022/05/31/emprego-formal-aumenta-mas-nao-se-converte-em-crescimento-da-renda-aponta-ibge.ghtml

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