NATAL DEVE REGISTRAR SEGUNDA QUEDA SEGUIDA DE VENDAS; EFETIVAÇÃO DE TEMPORÁRIOS DEVE SER MENOR

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O Estado de S.Paulo

Atividade fraca, desemprego elevado e inflação de dois dígitos devem derrubar pelo segundo ano seguido as vendas do Natal. A data, que é o melhor momento para o comércio varejista, deve amargar este ano queda real – descontada a inflação – de 2,6% em relação a 2020, segundo projeções da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). No ano passado, por causa do isolamento social, o faturamento real já tinha recuado 2,9% sobre a data do ano anterior.

Neste ano, a expectativa é de que as vendas do Natal somem R$ 57,48 bilhões. Comparado com a cifra de 2020 será um avanço de 9,8%. Porém, descontada a inflação do período, o varejo terá queda no volume de vendas. Segundo o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, o fluxo de consumidores às lojas já superou em 1,9% o movimento registrado em fevereiro de 2020, antes da pandemia, de acordo com dados da plataforma Google. No entanto, a maior circulação de pessoas não deve se traduzir em aumento real de vendas.

“A deterioração das condições de consumo materializada por inflação elevada, juros em alta e mercado de trabalho em lenta recuperação impede a construção de um cenário mais otimista”, escreve o economista.

Importações
A dificuldade do varejo em repassar para o consumidor as fortes altas de preços do atacado e a relativa estabilidade do câmbio fizeram, segundo a entidade, as lojas recorrerem às importações de itens para escapar da alta de custos. Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que as importações de itens tipicamente natalinos somaram US$ 436,1 milhões entre setembro e novembro deste ano. Foi um avanço de 19% em relação a igual período de 2020. A taxa média de câmbio entre setembro e novembro de 2020 e 2021 foi praticamente a mesma: R$ 5,57.

No entanto, mesmo com os importados, o estudo da CNC mostra que a inflação de Natal, que reúne 24 itens mais consumidos na data, é elevada. Em 12 meses até novembro, essa cesta ficou 13,8% mais cara, de acordo com a prévia da inflação, o IPCA-15, que subiu 10,7% no mesmo período. Em 2020, a cesta natalina tinha registrado alta de 15,1% na mesma base de comparação.

Neste ano, os produtos que mais subiram foram artigos de maquiagem (16%); TV, som informática (14,1%); e artigos de cama, mesa e banho (13,7%). Curiosamente, o bacalhau, um alimento importado, está 2% mais barato em 2021. Com isso, o produto e os aparelhos telefônicos (-1,4%) são os únicos itens com deflação.

Temporários
A piora no cenário das vendas de fim de ano, que registrou queda de até 30% nos eletroeletrônicos na Black Friday ante o mesmo evento de 2020, fez a entidade reduzir as previsões de contratações de temporários e a chance de efetivação desses trabalhadores.

Há três meses, a entidade esperava a admissão de 94,2 mil temporários para este fim de ano e agora calcula que tenham sido abertas 89,4 mil vagas. É um contingente 31% maior em relação ao do Natal de 2020, que foi atípico por causa da pandemia. Mas é 2,4% menor em relação ao Natal de 2019, que foi normal.

Além de contratar menos temporários, as chances de efetivação, isto é, que esses trabalhadores se tornem definitivos no início do próximo ano, também são bem menores por conta da conjuntura desfavorável. A entidade esperava inicialmente que 12,2% dos temporários virassem efetivos em 2022. Porém, com o aumento das incertezas e a deterioração das condições de consumo, essa taxa caiu para 4,9%, nos cálculos da CNC.

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